O que movimenta as redes na Internet é o interesse. Movidas pelos interesses, as pessoas entram nas comunidades, criam comunidades, Blogs, sites, etc. A natureza das redes, entretanto é diversa; elas se mantém e se alimentam graças à colaboração. Sem colaboração as tribos virtuais congelam. Muitas Centenas de milhares destas tribos foram criadas e estão mortas, sem movimento, sem participação, porque não conseguiram definir nenhum tipo de colaboração entre os seus participantes.
O Orkut é uma rede de colaboração com milhões, onde o interesse de se fazer conhecer é decisivo. Lá os internautas dizem o que são, ou que imaginam que são. Afirmam suas fantasias para seduzir os outros. Mostram momentos de suas vidas em fotos e vídeos. Ganham “amigos” e vão curtindo esta troca sem fim de relacionamentos. Lá alguns preferem ser “Fakes”, imagens intencionalmente falsas, para criticarem e ao mesmo tempo mostrarem o que pensam de coisas e comportamentos. Muitos fakes, milhares, alguns declaradamente fakes, outros de forma dissimulada e clandestina. E as comunidades se multiplicam, não param de crescer.
São muitos os espaços virtuais disponíveis na Internet. Permitem grupos, subgrupos, acompanhamento de projetos, desenvolvimento de produtos, grupos de pensamento, de discussão religiosa, filosófica, de Política, pedofilia, pornografia, enfim, todas as manifestações humanas encontrando formas de serem discutidas/vivenciadas via rede.
Novas contradições se estabelecem: interesses verso colaboração, privacidade verso publicização, mentiras verso notícias, a força das imagens e dos sons verso montagens fakes,(algumas muito bem feitas). Os vídeos da WebCam disponibilizados na rede estão acabando com o business da pornografia dos sites que cobram pelo serviço. São milhões de vídeos com pessoas de todas as idades e tipos mostrando tudo de graça. Aqui temos um contundente exemplo da chamada pós-modernidade “on line”.
Qual a Ética das redes? Alguma comunidade virtual poderá garantir que determinados compromissos éticos estão sendo observados? Claro que sempre existe uma ética quando humanos estão vivenciando grupos e tribos. Mas a rede não permite princípios à priori. Esses princípios vão se conformando na medida em que as comunidades se desenvolvem. Curiosamente, eles são fundamentais para a manutenção e o desenvolvimento das próprias comunidades, mas se formam lá nos conflitos e contradições que o virtual possibilita.
Porque são horizontais, apesar das ilusões dos coordenadores e fundadores, as comunidades virtuais têm comportamento diverso das estruturas verticalizadas do mundo real. Partidos Políticos em rede? Eh eh! Estas estruturas do século XVIII, fundadas no fragor da Revolução Industrial já eram quando se deparam com a Internet! Poderão continuar existindo durante mais cem anos, mas em cada momento dizendo menos para as novas gerações e suas tribos nas redes.
Agora mesmo, nos EEUU tivemos um movimento na Internet que começou derrotando a estrutura de Poder do Partido Democrata, indicando Barack Obama para presidente ao invés da candidatura mais certa e considerada para as eleições de 4 de novembro de 2008. Até o início de 2007 todo o mundo político dava como certa a candidatura de Hillary Clinton, e imaginava-se que sua eleição seria muito provável. Nem candidata foi e chegou a vez do Partido Republicano bater de frente com a Internet, perdendo sua longa hegemonia de Poder na maior nação do mundo contemporâneo.
E aqui mesmo nesta terrinha de Santa Cruz, a Internet não venceu uma coligação de doze velhos Partidos Políticos por muito pouco, exatamente 1,6% de diferença de votos na segunda maior cidade do país. Acima dos Partidos a candidatura de Fernando Gabeira mobilizou novas forças a partir da Internet.
Há alguns dias atrás, Gabeira fez um comentário que dá o que pensar: - “será que a realidade política brasileira se resume as contradições entre o PSDB e o PT?”
Efetivamente as redes já são Poder inclusive aqui no Brasil. A Internet e os celulares vão derrubar muitos projetos das velhas instituições para 2010. As tribos virtuais estão com a palavra desde agora.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Seriedade na Velha Mídia.
Tão logo terminou o debate de ontem na Rede Record de Televisão entre os Candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro, entrei no computador para acompanhar a repercussão entre os internautas. Lendo a primeira notícia editada pelo Globo “On Line”, verifiquei o link para que os leitores opinassem sobre quem se saiu melhor nos debates. Achei estranho que pela primeira vez entre todas as enquetes realizadas pelo O Globo, o candidato Fernando Gabeira vinha ganhando de muito pouco na opinião dos leitores, cerca de 57% a 41%.
Rapidamente entrei na comunidade Gabeira 43 e brincando declarei: vamos acordar moçada e votar na enquete do Globo.
Hoje pela manhã, fui verificar o andamento da enquete. O número de votantes tinha subido bastante, cerca de 2100 leitores, e fiquei pasmo: Gabeira estava perdendo! 52,2% para Paes e 47,8% para Gabeira. O que estaria acontecendo? A minha primeira providência foi entrar e tentar votar novamente para ver como estava funcionando o sistema do Globo “on line”. Imediatamente o software informou: - você já opinou nesta enquete.
Ao meio dia com 3428 votantes a posição se mantinha. Claro que algo estava errado. Não era possível que tantos usuários da Internet tivessem visto o candidato Paes ter ganhado um debate em que ele teve, mais uma vez, um desempenho simplório, contra um político que a cada dia se afirma como um homem com a responsabilidade dos tempos em que vivemos.
Resolvi ligar para O Globo. Pedi para falar com o Editor Chefe do Jornal, o jornalista Paulo Motta. A secretária me disse que ele ainda não havia chegado à redação, mas que eu poderia falar com um de seus assessores.
Relatei minhas preocupações dizendo que o Site do Globo poderia estar sendo vítima de um hacker, que através de um pequeno executável, estaria gerando IPs diferentes em uma única estação de trabalho e votando seguidamente na enquete. O jornalista que me atendeu foi atencioso e me declarou que encaminharia imediatamente meu questionamento ao departamento de Tecnologia e Informática do Jornal.
Cheguei em casa às 20:30 h, corri para o computador e vi o resultado da enquete: - Quem Ganhou o Debate?
Fernando Gabeira: 76,35%
Eduardo Paes: 23,65%, num total de 3134 votantes.
O Globo corrigiu os dados! Parabéns aos jornalistas e técnicos do jornal.
O Paes a cada ação que tenta fica mais “fake” (falso, falsificado, fingido). Não vacilando em desrespeitar a imprensa e os eleitores da cidade do Rio de Janeiro, colocando seus assessores numa posição incômoda de terem de realizar movimentos ilícitos, porque quer ganhar a qualquer preço.
Rapidamente entrei na comunidade Gabeira 43 e brincando declarei: vamos acordar moçada e votar na enquete do Globo.
Hoje pela manhã, fui verificar o andamento da enquete. O número de votantes tinha subido bastante, cerca de 2100 leitores, e fiquei pasmo: Gabeira estava perdendo! 52,2% para Paes e 47,8% para Gabeira. O que estaria acontecendo? A minha primeira providência foi entrar e tentar votar novamente para ver como estava funcionando o sistema do Globo “on line”. Imediatamente o software informou: - você já opinou nesta enquete.
Ao meio dia com 3428 votantes a posição se mantinha. Claro que algo estava errado. Não era possível que tantos usuários da Internet tivessem visto o candidato Paes ter ganhado um debate em que ele teve, mais uma vez, um desempenho simplório, contra um político que a cada dia se afirma como um homem com a responsabilidade dos tempos em que vivemos.
Resolvi ligar para O Globo. Pedi para falar com o Editor Chefe do Jornal, o jornalista Paulo Motta. A secretária me disse que ele ainda não havia chegado à redação, mas que eu poderia falar com um de seus assessores.
Relatei minhas preocupações dizendo que o Site do Globo poderia estar sendo vítima de um hacker, que através de um pequeno executável, estaria gerando IPs diferentes em uma única estação de trabalho e votando seguidamente na enquete. O jornalista que me atendeu foi atencioso e me declarou que encaminharia imediatamente meu questionamento ao departamento de Tecnologia e Informática do Jornal.
Cheguei em casa às 20:30 h, corri para o computador e vi o resultado da enquete: - Quem Ganhou o Debate?
Fernando Gabeira: 76,35%
Eduardo Paes: 23,65%, num total de 3134 votantes.
O Globo corrigiu os dados! Parabéns aos jornalistas e técnicos do jornal.
O Paes a cada ação que tenta fica mais “fake” (falso, falsificado, fingido). Não vacilando em desrespeitar a imprensa e os eleitores da cidade do Rio de Janeiro, colocando seus assessores numa posição incômoda de terem de realizar movimentos ilícitos, porque quer ganhar a qualquer preço.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
A Onda e os Podres Poderes
Maravilha a mobilização dos cariocas no primeiro turno das eleições. A ida às urnas tinha o sorriso carioca que se confirmava em gritos de Gabeira nas calçadas, praças e restaurantes. O povo da cidade grita e vota querendo um Rio em direção ao seu futuro.
Impressionante a reação conservadora. Campanha contra em seus jornais nos primeiros minutos da campanha para o segundo turno. “O Globo” e o jornal “Extra” queimando sua própria reputação para defender a candidatura da mesmice com fotos perversas.
Um descalabro a declaração da Diretora Executiva do IBOPE acusando a Folha de ter criado a Onda Gabeira com pesquisa que segundo ela eram falsas, eh, eh.
O IBOPE já é no imaginário popular uma grande armação para manipular eleições. E agora vem sua diretora executiva afirmando que as pesquisa modificam opiniões e influenciam nos resultados. O que é isso companheiro?
Nada vai mudar o cinismo desta gente. Esperemos a primeira pesquisa do segundo turno e iremos ter coisas do tipo: primeira semana: Ibope diz que Paes tem 44% e Gabeira 29%. Ainda deverá vir uma segunda pesquisa tipo: Paes cresce no Rio: agora Paes tem 47% e Gabeira 30%. Como sempre fazem, se não colar, irão corrigir na última e na famosa e famigerada pesquisa de boca de urna. Desta vez, só não terão coragem de colocar a “hipopótoma” figura de Montenegro como comentarista dos resultados; seria demais e os Marinhos têm juízo.
Não irá adiantar, a Onda Gabeira afogará os bolorentos podres poderes.
Impressionante a reação conservadora. Campanha contra em seus jornais nos primeiros minutos da campanha para o segundo turno. “O Globo” e o jornal “Extra” queimando sua própria reputação para defender a candidatura da mesmice com fotos perversas.
Um descalabro a declaração da Diretora Executiva do IBOPE acusando a Folha de ter criado a Onda Gabeira com pesquisa que segundo ela eram falsas, eh, eh.
O IBOPE já é no imaginário popular uma grande armação para manipular eleições. E agora vem sua diretora executiva afirmando que as pesquisa modificam opiniões e influenciam nos resultados. O que é isso companheiro?
Nada vai mudar o cinismo desta gente. Esperemos a primeira pesquisa do segundo turno e iremos ter coisas do tipo: primeira semana: Ibope diz que Paes tem 44% e Gabeira 29%. Ainda deverá vir uma segunda pesquisa tipo: Paes cresce no Rio: agora Paes tem 47% e Gabeira 30%. Como sempre fazem, se não colar, irão corrigir na última e na famosa e famigerada pesquisa de boca de urna. Desta vez, só não terão coragem de colocar a “hipopótoma” figura de Montenegro como comentarista dos resultados; seria demais e os Marinhos têm juízo.
Não irá adiantar, a Onda Gabeira afogará os bolorentos podres poderes.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
“O Globo” Descobre Dupla Bizarra
O Jornal “O Globo” de ontem, dia 30 de setembro, publicou em sua oitava página duas grandes matérias, uma ao lado da outra, que confirma sua “inteligência jornalística”, mesmo profundamente controlada pelo Comitê Central do partido no poder e sendo o jornal parceiro do IBOPE.
Os depoimentos absolutamente irresponsáveis de dois carinhas envolvidos com a Política em nosso país. José Dirceu e Carlos Augusto Montenegro, que não seriam uma boa dupla de zagueiros para nenhum time da terceira divisão, e piores ainda como Dupla Caipira, deitaram falação destilando fel contra o candidato Fernando Gabeira.
O Zé diz que não admite Gabeira na Prefeitura do Rio de Janeiro; onde já se viu? Tentando firmar que Jandira era a única opção de esquerda pra cidade. A moça meio desesperada colocou o Post do Zé no seu site, percebendo o risco botou a culpa nos “hackers” e retirou logo depois; quanta pobreza de espírito! E o alucinado do Montenegro com “sua credibilidade de setenta anos”, que ele não tem nem no Botafogo, coitado, chamando o Gabeira de “covarde, omisso e dissimulado”.
Gabeira, bom mineiro, disse apenas, com relação aos desatinos do Zé: - “É perfeitamente legítimo que ele tenha esta posição. A população do Rio vai julgar se acompanha quem ele apoiar ou se decide por uma outra visão política”. Com relação ao travesso das pesquisas ele não deu nenhuma palavra.
Gabeira está só esperando passar a nervosia. Ele sabe que quem fica contra a onda acaba engordando a própria onda.
Os depoimentos absolutamente irresponsáveis de dois carinhas envolvidos com a Política em nosso país. José Dirceu e Carlos Augusto Montenegro, que não seriam uma boa dupla de zagueiros para nenhum time da terceira divisão, e piores ainda como Dupla Caipira, deitaram falação destilando fel contra o candidato Fernando Gabeira.
O Zé diz que não admite Gabeira na Prefeitura do Rio de Janeiro; onde já se viu? Tentando firmar que Jandira era a única opção de esquerda pra cidade. A moça meio desesperada colocou o Post do Zé no seu site, percebendo o risco botou a culpa nos “hackers” e retirou logo depois; quanta pobreza de espírito! E o alucinado do Montenegro com “sua credibilidade de setenta anos”, que ele não tem nem no Botafogo, coitado, chamando o Gabeira de “covarde, omisso e dissimulado”.
Gabeira, bom mineiro, disse apenas, com relação aos desatinos do Zé: - “É perfeitamente legítimo que ele tenha esta posição. A população do Rio vai julgar se acompanha quem ele apoiar ou se decide por uma outra visão política”. Com relação ao travesso das pesquisas ele não deu nenhuma palavra.
Gabeira está só esperando passar a nervosia. Ele sabe que quem fica contra a onda acaba engordando a própria onda.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
A Zona Sul não é adversária do Rio
Excelente entrevista do Gabeira ao Jornal "O Dia" de hoje. Vale a pena dar uma lida.
Gabeira esperto, lúcido, a favor do Rio de Janeiro escapando pro futuro e empolgado com a Revolução.
Gabeira diz não ter vergonha de ser ‘o candidato preferido entre as pessoas mais instruídas’ e defende cidade unificada.
Bruno Astuto
Rio - A série de entrevistas ‘Os candidatos como você nunca viu’ traz hoje Fernando Gabeira, o candidato do PV à Prefeitura do Rio. Ele me recebeu em sua casa de uma maneira, digamos, que nenhum convidado apreciaria: “Você só tem vinte minutos”.
Lembrando que estamos também a poucos minutos das eleições, segui firme no propósito de mergulhar nos pensamentos desse político. Mas um probleminha doméstico o assola: Pequena, sua gatinha de estimação, de uma hora para outra decidiu virar terrorista e atacar passarinhos, logo a gata dele, um homem tão pacifista. Prioridades, se eleito, são quatro: “A gente vai começar com a bola no chão. Sentar, resolver quatro problemas: tapar os buracos, botar luz, podar as árvores e limpar as ruas”.
Está fazendo dieta para enfrentar a maratona?
Não, porque, na verdade, a gente está tendo tempo até para almoçar às vezes.
O que o povo lhe oferece na rua que você adora e o que você detesta?
Eu não como qualquer coisa. Não como carne, por exemplo. Nas feiras, gosto de frutas e fico feliz de banca em banca comendo frutas.
Esta campanha está sendo baixaria ou alto nível?
Eu tenho a impressão de que ela ainda não conseguiu achar sua identidade. Há tentativas de baixaria e tentativas de alto nível. A campanha ainda não começou a empolgar. Só agora, na reta final, é que começam a aparecer as verdadeiras personalidades por trás dos candidatos. A minha previsão é que o clima vá esquentar.
Vou dizer os nomes dos outros entrevistados e gostaria de que você fizesse um pequeno comentário a respeito. Solange.
Excelente deputada.
Molon.
Excelente pessoa, um excelente deputado estadual.
Jandira.
Uma pessoa extremamente trabalhadora e muito voltada para a saúde.
Eduardo Paes.
Muito dinâmico, teve uma participação como administrador, seria um bom síndico para o Rio de Janeiro.
Crivella.
Pacífico, tranqüilo, apesar de às vezes estar no olho do furacão da luta religiosa.
Você tem religião?
Tenho. Trabalho com os budistas. Quando o Dalai Lama vem ao Brasil, eu o recebo, faço negociações com o Itamaraty para que ele seja recebido, já que ele tem dificuldades por causa da China. Também tenho boas relações com o catolicismo, que é a minha religião de origem, onde fui educado. Tenho boa relação com as religiões africanas, com os batistas. Na verdade, eu partilho com muitos princípios de várias religiões.
Qual a crítica que mais o magoa?
Nenhuma crítica toca tão fundo, todas são de uma maneira geral bem recebidas. Algumas ofensas me tocam fundo. Quando é crítica, eu sempre trato no plano político. Quando é uma ofensa, fica mais difícil.
Você chora com facilidade?
Choro de emoção, de saudades, de raiva. Mas, de um modo geral, eu não choro. Procuro reagir da forma mais racional possível.
De que você sente saudades?
Muito difícil responder, porque eu estou com 67 anos. Foram tantos bons momentos, tantos lugares maravilhosos e tantas situações inesquecíveis, que você vê que a vida é muito boa. O período que eu passei na Suécia, sobretudo nos verões, foi inesquecível.
Que lugar mais o deslumbrou?
Londres é a cidade européia em que me sinto mais satisfeito como cidade grande.
Qual o livro da sua vida?
São vários, mas eu gosto de dois que me ensinaram a conduzir uma narrativa de forma mais econômica e enxuta possível, porque eu sou escritor. Um é ‘O Velho e o Mar’ de (Ernest) Hemingway e o outro é ‘O Estrangeiro’, de Albert Camus. São importantes para quem quer narrar alguma coisa. São objetivos, curtos e absolutamente completos no que querem.
E o filme da sua vida?
Sempre gostei de filmes pacifistas, que fazem uma crítica à guerra. ‘Glória feita de sangue’, por exemplo. E toda a filmografia italiana. “Oito e meio’, de Fellini, é maravilhoso. Gosto muito do (Ingmar) Bergman, sueco.
Você se diz pacifista. Quem hoje imagina que você já tenha participado da luta armada?
Eu também não me imagino. Não me arrependo, mas foi um equívoco porque fez com que a ditadura durasse um pouco mais que ela poderia durar.
Você saiu da luta armada como um pacifista e o José Dirceu, um dos prisioneiros políticos por quem você e seus companheiros trocaram o embaixador americano seqüestrado, tornou-se uma figura controversa.
Controversa pelos caminhos que ele escolheu. Eu acho o José Dirceu às vezes muito injustiçado sob um aspecto: todos os problemas que o PT viveu acabaram sendo atribuídos a ele. Ele ficou com o papel de vilão.
Voltar e sair do Partido dos Trabalhadores foi difícil?
Não, não foi difícil. Custou umas tardes de apreensão porque o processo estava se desenrolando de uma forma muito clara para mim. Aquele caminho não era o caminho que eu queria. Hoje eles estão até muito satisfeitos com a popularidade muito grande. Mas o nosso caminho tinha que ser de revisão da prática política, das relações entre os políticos, da redução da roubalheira. E isso não aconteceu.
Você é um verde que picha editorial de moda com casaco de pele? O que é ser verde?
Não. Quem faz esse trabalho nos Estados Unidos é o Peta, que trabalha especificamente com os direitos dos animais, não o Partido Verde. Eu sempre achei que o caminho melhor é o pedagógico. Se você quer realmente alterar uma situação, não adianta entrar no trilho da proibição, mas do diálogo, da conversa. No caso da moda, por exemplo, ela tem uma base material, mas também uma base muito subjetiva. Ela é uma combinação estética que as pessoas têm entre si.
A imagem da campanha pela legalização da maconha o ajuda ou o atrapalha?
No momento, nem ajuda nem atrapalha. Eu sou candidato a prefeito do Rio de Janeiro, não tem nada a ver. Não há nada hoje que me atrapalhe, a não ser o fato de a população não ter se dado conta do processo eleitoral.
Já chega ao ponto que isso o incomoda?
Não incomoda, não. Apenas é um registro de como as pessoas estão perdendo o ponto, como dizem os americanos. O ponto aqui é a campanha municipal, o que fazer com a cidade, que está atravessando uma crise profunda, um processo de desordem. A cidade está dominada parcialmente por grupos armados, cheia de buracos, é escura em muitos pontos. É o único lugar do Brasil que empobreceu nesses anos, que os pobres ficaram mais pobres.
Você é o candidato da Zona Sul?
Tem vários clichês, vários mitos que vão sendo desfeitos. O primeiro mito é esse, de que a Zona Sul é adversária do Rio. Então ser da Zona Sul é carregar uma vergonha, um fardo. Eu acho que nós queremos uma cidade unificada. Outros candidatos fingem que não são da Zona Sul e dizem que eu sou. Eu não tenho nenhuma vergonha de ser o candidato preferido entre as pessoas mais instruídas. Isso não é vergonha.
Qual é o seu programa povão?
Ando aqui em Ipanema de chinelo e bermuda. Vou a todos os lugares, vou de bicicleta ao Flamengo. Conheço e gosto de conhecer os porteiros, os taxistas.
E o momento high society?
Não tenho me permitido luxos ultimamente, mas, quando sou convidado para dar palestras, freqüento bons hotéis. Também tenho boas roupas, porque não sou de comprar muitas roupas baratas. Prefiro uma cara de boa qualidade e usá-la bastante.
Qual o seu primeiro ato no dia 2?
A gente vai começar com a bola no chão. Sentar, resolver quatro problemas: tapar os buracos, botar luz, podar as árvores e limpar as ruas.
E o primeiro decreto quando acabar a campanha, em nome da sanidade mental?
Preciso tirar dois dias. Não sei onde, mas para exatamente não pensar em nada, esvaziar a cabeça.
Já teve alguma desilusão amorosa?
Não, mas tive algumas separações na juventude, sim. Se não houvesse dor-de-cotovelo, a gente não poderia beber chope e ouvir samba-canção.
Já quebrou corações?
Eu não entendo assim, mas como um processo de caminhos que se cruzam e se desfazem. Você não quebra o coração. É uma interpretação equivocada, porque são liberdades que se juntam e às vezes se separam.
Você vive casado como antigamente.
Essa é a casa dela. Tenho um apartamento aqui perto e moramos juntos. O apartamento que eu tenho, minha filha está usando como consultório, pois se formou psicóloga. É um casamento convencional, sim.
O símbolo da liberdade sexual e de costumes encaretou?
Não sei se o fato de viver com uma pessoa entra em contradição com a liberdade sexual. A minha posição foi sempre a de liberdade.
Qual é a sua revolução agora?
Vivemos no auge da revolução digital. Estamos passando por uma nova época, a chamada a época do conhecimento. Não é à toa que eu estou propondo que o Rio de Janeiro se transforme na capital do conhecimento.
Gabeira esperto, lúcido, a favor do Rio de Janeiro escapando pro futuro e empolgado com a Revolução.
Gabeira diz não ter vergonha de ser ‘o candidato preferido entre as pessoas mais instruídas’ e defende cidade unificada.
Bruno Astuto
Rio - A série de entrevistas ‘Os candidatos como você nunca viu’ traz hoje Fernando Gabeira, o candidato do PV à Prefeitura do Rio. Ele me recebeu em sua casa de uma maneira, digamos, que nenhum convidado apreciaria: “Você só tem vinte minutos”.
Lembrando que estamos também a poucos minutos das eleições, segui firme no propósito de mergulhar nos pensamentos desse político. Mas um probleminha doméstico o assola: Pequena, sua gatinha de estimação, de uma hora para outra decidiu virar terrorista e atacar passarinhos, logo a gata dele, um homem tão pacifista. Prioridades, se eleito, são quatro: “A gente vai começar com a bola no chão. Sentar, resolver quatro problemas: tapar os buracos, botar luz, podar as árvores e limpar as ruas”.
Está fazendo dieta para enfrentar a maratona?
Não, porque, na verdade, a gente está tendo tempo até para almoçar às vezes.
O que o povo lhe oferece na rua que você adora e o que você detesta?
Eu não como qualquer coisa. Não como carne, por exemplo. Nas feiras, gosto de frutas e fico feliz de banca em banca comendo frutas.
Esta campanha está sendo baixaria ou alto nível?
Eu tenho a impressão de que ela ainda não conseguiu achar sua identidade. Há tentativas de baixaria e tentativas de alto nível. A campanha ainda não começou a empolgar. Só agora, na reta final, é que começam a aparecer as verdadeiras personalidades por trás dos candidatos. A minha previsão é que o clima vá esquentar.
Vou dizer os nomes dos outros entrevistados e gostaria de que você fizesse um pequeno comentário a respeito. Solange.
Excelente deputada.
Molon.
Excelente pessoa, um excelente deputado estadual.
Jandira.
Uma pessoa extremamente trabalhadora e muito voltada para a saúde.
Eduardo Paes.
Muito dinâmico, teve uma participação como administrador, seria um bom síndico para o Rio de Janeiro.
Crivella.
Pacífico, tranqüilo, apesar de às vezes estar no olho do furacão da luta religiosa.
Você tem religião?
Tenho. Trabalho com os budistas. Quando o Dalai Lama vem ao Brasil, eu o recebo, faço negociações com o Itamaraty para que ele seja recebido, já que ele tem dificuldades por causa da China. Também tenho boas relações com o catolicismo, que é a minha religião de origem, onde fui educado. Tenho boa relação com as religiões africanas, com os batistas. Na verdade, eu partilho com muitos princípios de várias religiões.
Qual a crítica que mais o magoa?
Nenhuma crítica toca tão fundo, todas são de uma maneira geral bem recebidas. Algumas ofensas me tocam fundo. Quando é crítica, eu sempre trato no plano político. Quando é uma ofensa, fica mais difícil.
Você chora com facilidade?
Choro de emoção, de saudades, de raiva. Mas, de um modo geral, eu não choro. Procuro reagir da forma mais racional possível.
De que você sente saudades?
Muito difícil responder, porque eu estou com 67 anos. Foram tantos bons momentos, tantos lugares maravilhosos e tantas situações inesquecíveis, que você vê que a vida é muito boa. O período que eu passei na Suécia, sobretudo nos verões, foi inesquecível.
Que lugar mais o deslumbrou?
Londres é a cidade européia em que me sinto mais satisfeito como cidade grande.
Qual o livro da sua vida?
São vários, mas eu gosto de dois que me ensinaram a conduzir uma narrativa de forma mais econômica e enxuta possível, porque eu sou escritor. Um é ‘O Velho e o Mar’ de (Ernest) Hemingway e o outro é ‘O Estrangeiro’, de Albert Camus. São importantes para quem quer narrar alguma coisa. São objetivos, curtos e absolutamente completos no que querem.
E o filme da sua vida?
Sempre gostei de filmes pacifistas, que fazem uma crítica à guerra. ‘Glória feita de sangue’, por exemplo. E toda a filmografia italiana. “Oito e meio’, de Fellini, é maravilhoso. Gosto muito do (Ingmar) Bergman, sueco.
Você se diz pacifista. Quem hoje imagina que você já tenha participado da luta armada?
Eu também não me imagino. Não me arrependo, mas foi um equívoco porque fez com que a ditadura durasse um pouco mais que ela poderia durar.
Você saiu da luta armada como um pacifista e o José Dirceu, um dos prisioneiros políticos por quem você e seus companheiros trocaram o embaixador americano seqüestrado, tornou-se uma figura controversa.
Controversa pelos caminhos que ele escolheu. Eu acho o José Dirceu às vezes muito injustiçado sob um aspecto: todos os problemas que o PT viveu acabaram sendo atribuídos a ele. Ele ficou com o papel de vilão.
Voltar e sair do Partido dos Trabalhadores foi difícil?
Não, não foi difícil. Custou umas tardes de apreensão porque o processo estava se desenrolando de uma forma muito clara para mim. Aquele caminho não era o caminho que eu queria. Hoje eles estão até muito satisfeitos com a popularidade muito grande. Mas o nosso caminho tinha que ser de revisão da prática política, das relações entre os políticos, da redução da roubalheira. E isso não aconteceu.
Você é um verde que picha editorial de moda com casaco de pele? O que é ser verde?
Não. Quem faz esse trabalho nos Estados Unidos é o Peta, que trabalha especificamente com os direitos dos animais, não o Partido Verde. Eu sempre achei que o caminho melhor é o pedagógico. Se você quer realmente alterar uma situação, não adianta entrar no trilho da proibição, mas do diálogo, da conversa. No caso da moda, por exemplo, ela tem uma base material, mas também uma base muito subjetiva. Ela é uma combinação estética que as pessoas têm entre si.
A imagem da campanha pela legalização da maconha o ajuda ou o atrapalha?
No momento, nem ajuda nem atrapalha. Eu sou candidato a prefeito do Rio de Janeiro, não tem nada a ver. Não há nada hoje que me atrapalhe, a não ser o fato de a população não ter se dado conta do processo eleitoral.
Já chega ao ponto que isso o incomoda?
Não incomoda, não. Apenas é um registro de como as pessoas estão perdendo o ponto, como dizem os americanos. O ponto aqui é a campanha municipal, o que fazer com a cidade, que está atravessando uma crise profunda, um processo de desordem. A cidade está dominada parcialmente por grupos armados, cheia de buracos, é escura em muitos pontos. É o único lugar do Brasil que empobreceu nesses anos, que os pobres ficaram mais pobres.
Você é o candidato da Zona Sul?
Tem vários clichês, vários mitos que vão sendo desfeitos. O primeiro mito é esse, de que a Zona Sul é adversária do Rio. Então ser da Zona Sul é carregar uma vergonha, um fardo. Eu acho que nós queremos uma cidade unificada. Outros candidatos fingem que não são da Zona Sul e dizem que eu sou. Eu não tenho nenhuma vergonha de ser o candidato preferido entre as pessoas mais instruídas. Isso não é vergonha.
Qual é o seu programa povão?
Ando aqui em Ipanema de chinelo e bermuda. Vou a todos os lugares, vou de bicicleta ao Flamengo. Conheço e gosto de conhecer os porteiros, os taxistas.
E o momento high society?
Não tenho me permitido luxos ultimamente, mas, quando sou convidado para dar palestras, freqüento bons hotéis. Também tenho boas roupas, porque não sou de comprar muitas roupas baratas. Prefiro uma cara de boa qualidade e usá-la bastante.
Qual o seu primeiro ato no dia 2?
A gente vai começar com a bola no chão. Sentar, resolver quatro problemas: tapar os buracos, botar luz, podar as árvores e limpar as ruas.
E o primeiro decreto quando acabar a campanha, em nome da sanidade mental?
Preciso tirar dois dias. Não sei onde, mas para exatamente não pensar em nada, esvaziar a cabeça.
Já teve alguma desilusão amorosa?
Não, mas tive algumas separações na juventude, sim. Se não houvesse dor-de-cotovelo, a gente não poderia beber chope e ouvir samba-canção.
Já quebrou corações?
Eu não entendo assim, mas como um processo de caminhos que se cruzam e se desfazem. Você não quebra o coração. É uma interpretação equivocada, porque são liberdades que se juntam e às vezes se separam.
Você vive casado como antigamente.
Essa é a casa dela. Tenho um apartamento aqui perto e moramos juntos. O apartamento que eu tenho, minha filha está usando como consultório, pois se formou psicóloga. É um casamento convencional, sim.
O símbolo da liberdade sexual e de costumes encaretou?
Não sei se o fato de viver com uma pessoa entra em contradição com a liberdade sexual. A minha posição foi sempre a de liberdade.
Qual é a sua revolução agora?
Vivemos no auge da revolução digital. Estamos passando por uma nova época, a chamada a época do conhecimento. Não é à toa que eu estou propondo que o Rio de Janeiro se transforme na capital do conhecimento.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
As Pesquisas ou a Onda?
Eu fico com a onda sem qualquer sombra de dúvida. Nem tanto porque nós os cariocas adoramos o mar, mas pela impossibilidade de tentar barrar a onda.
Na campanha de 1982, eu, um dos malfadados “Luas Pretas”, resolvi na última semana de campanha dar um pulo até a Central do Brasil para ver a chamada reta final. Levamos algum material do Miro e um megafone para agitarmos naquele tradicional ponto de passagem de milhares de cariocas, eh eh. O nosso problema era como esconder tudo que levamos. O povão desembarcava do Metrô gritando Brizola na Cabeça! Chegavam na Gare da Central e ajudados pelo eco, transformavam o ambiente numa consagração do Brizola. Ali vimos que não tinha jeito. E não teve mesmo apesar da Proconsult, Ditadura, IBOPE, etc.
Estamos na reta final desta campanha pra prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Deixo para a sua reflexão três vídeos de campanha da semana passada.
Na campanha de 1982, eu, um dos malfadados “Luas Pretas”, resolvi na última semana de campanha dar um pulo até a Central do Brasil para ver a chamada reta final. Levamos algum material do Miro e um megafone para agitarmos naquele tradicional ponto de passagem de milhares de cariocas, eh eh. O nosso problema era como esconder tudo que levamos. O povão desembarcava do Metrô gritando Brizola na Cabeça! Chegavam na Gare da Central e ajudados pelo eco, transformavam o ambiente numa consagração do Brizola. Ali vimos que não tinha jeito. E não teve mesmo apesar da Proconsult, Ditadura, IBOPE, etc.
Estamos na reta final desta campanha pra prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Deixo para a sua reflexão três vídeos de campanha da semana passada.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Um Ex Blog com dificuldades
O prefeito da cidade conseguiu um bom nível na qualidade da informação que vem colocando em seu Ex Blog. Entretanto, no capítulo eleições municipais, pela fraqueza de sua candidata, optou por fazer campanha contra as demais candidaturas. Com tal escolha passa a ter uma postura panfletária e perde conteúdo. No seu Post de hoje, faz um comentário bizarro com relação ao programa de televisão do Candidato Fernando Gabeira.
Vejam aqui o programa do Gabeira:
http://www.youtube.com/watch?v=FTZmPiaRJLg&eurl=http://gabeira.com/gabeira43/?p=519
Agora é só ler os comentários do Prefeito:
NEOLIBERAL? O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?!
1. No programa eleitoral de ontem, Gabeira disse que vai gerir a prefeitura como uma empresa privada e que vai tratar o CIDADÃO como as empresas tratam o CLIENTE. O ex-presidente do Bacen de FHC pela segunda vez entrou no programa. Talvez esse texto lido em teleprompter pelo Gabeira tenha sido escrito coerentemente por ele.
2. De uma forma simples para se entender. A empresa estabelece com o cliente/consumidor uma relação onde procura garantir a maior taxa de lucro num quadro de satisfação do cliente com o produto, para que este seja um cliente permanente. O veículo que usa para isso é principalmente a sedução pela publicidade como forma de atração. O cliente/consumidor é um ator individual que busca o máximo de satisfação pessoal -qualidade/preço- a partir da elasticidade-renda para o produto que deseja comprar.
3. O governo estabelece com o cidadão uma relação político-social, onde interage e estabelece restas relações por sistemas internos. A oferta de seus serviços não é determinada individualmente com o cidadão, mas por decisão política muitas vezes estabelecida em lei (oferta de matriculas...). E pelas pressões da sociedade sobre os governos produzindo sinergia e também conflitos. O cidadão -nesse sentido- é um ator social e coletivo, e demanda para além de si mesmo, conscientemente ou não. A "conquista" do cidadão se dá por argumentação e demonstração com resultados e comparações com as alternativas.
4. A relação puramente de mercado entre governo e clientes é o que se chama de política de clientela, onde políticos conquistam o eleitor com favores pessoais. A isso se chama clientelismo.
5. Para sua própria biografia Gabeira deveria corrigir ou explicar o que disse. Nesse momento consegue ocupar o espaço da direita ultra-liberal, para a qual o estado deve ser mínimo e se possível apenas uma instituição operando com lógica empresarial. Lembre-se que no direito privado o individuo ou empresa pode fazer tudo que a lei não proíbe. Mas no direito público os governos só podem fazer aquilo que a lei determina ou agir nas restrições que impõe. Um choque o programa do Gabeira de ontem. Todos que o conheceram ficaram perplexos.
Tirando o fato de que ele também não resiste ao charme da frase que Gabeira consagrou no título que deu ao Post, nem de factóide poderemos acusar o Prefeito. Como ele deu recentemente uma entrevista ao Jornal o Dia, (está no Youtube), com mais de quarenta minutos de duração, consagrando Lenin, que está colocado numa foto entre ele e o entrevistador, imagino que seja muito difícil se livrar do esquerdismo que o marcou profundamente em toda a sua luta na Política.
Vejam aqui o programa do Gabeira:
http://www.youtube.com/watch?v=FTZmPiaRJLg&eurl=http://gabeira.com/gabeira43/?p=519
Agora é só ler os comentários do Prefeito:
NEOLIBERAL? O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?!
1. No programa eleitoral de ontem, Gabeira disse que vai gerir a prefeitura como uma empresa privada e que vai tratar o CIDADÃO como as empresas tratam o CLIENTE. O ex-presidente do Bacen de FHC pela segunda vez entrou no programa. Talvez esse texto lido em teleprompter pelo Gabeira tenha sido escrito coerentemente por ele.
2. De uma forma simples para se entender. A empresa estabelece com o cliente/consumidor uma relação onde procura garantir a maior taxa de lucro num quadro de satisfação do cliente com o produto, para que este seja um cliente permanente. O veículo que usa para isso é principalmente a sedução pela publicidade como forma de atração. O cliente/consumidor é um ator individual que busca o máximo de satisfação pessoal -qualidade/preço- a partir da elasticidade-renda para o produto que deseja comprar.
3. O governo estabelece com o cidadão uma relação político-social, onde interage e estabelece restas relações por sistemas internos. A oferta de seus serviços não é determinada individualmente com o cidadão, mas por decisão política muitas vezes estabelecida em lei (oferta de matriculas...). E pelas pressões da sociedade sobre os governos produzindo sinergia e também conflitos. O cidadão -nesse sentido- é um ator social e coletivo, e demanda para além de si mesmo, conscientemente ou não. A "conquista" do cidadão se dá por argumentação e demonstração com resultados e comparações com as alternativas.
4. A relação puramente de mercado entre governo e clientes é o que se chama de política de clientela, onde políticos conquistam o eleitor com favores pessoais. A isso se chama clientelismo.
5. Para sua própria biografia Gabeira deveria corrigir ou explicar o que disse. Nesse momento consegue ocupar o espaço da direita ultra-liberal, para a qual o estado deve ser mínimo e se possível apenas uma instituição operando com lógica empresarial. Lembre-se que no direito privado o individuo ou empresa pode fazer tudo que a lei não proíbe. Mas no direito público os governos só podem fazer aquilo que a lei determina ou agir nas restrições que impõe. Um choque o programa do Gabeira de ontem. Todos que o conheceram ficaram perplexos.
Tirando o fato de que ele também não resiste ao charme da frase que Gabeira consagrou no título que deu ao Post, nem de factóide poderemos acusar o Prefeito. Como ele deu recentemente uma entrevista ao Jornal o Dia, (está no Youtube), com mais de quarenta minutos de duração, consagrando Lenin, que está colocado numa foto entre ele e o entrevistador, imagino que seja muito difícil se livrar do esquerdismo que o marcou profundamente em toda a sua luta na Política.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Onze de setembro – data trágica.
Hoje lembrei de Salvador Allende naquele 11 de setembro de 1973. As fotos e reportagens na TV mostrando a sangrenta derrubada de seu Governo democraticamente escolhido por seu povo. Os fascistas não agüentaram a consolidação de sua posição na sociedade tendo melhorado a representação política de seu governo nas eleições parlamentares e partiram para o golpe de Estado. Usaram o caminho da aniquilação e assassinaram Allende no Palácio de La Moneda, sede do Governo legítimo do Chile. Tempos de guerra fria e de lutas entre blocos ideológicos antagônicos. Chorei copiosamente naquele onze de setembro.
Ainda divagando, lembrei do onze de setembro de 2001. O ataque terrorista aos Estados Unidos da América. Estava voltando de um fim de semana na praia; um amigo ligou. Ficamos sem entender direito eu e minha mulher. Ligamos o rádio, maior perplexidade. O que era aquilo companheiro? Só mesmo plagiando o Gabeira. Cinco dias depois escrevi um texto, segue colado:
Onze de setembro de 2001.
“Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem.
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final.
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial”
Caetano Veloso
Já existe e vem sendo vivida uma “Nova Ordem Mundial”, resistem os velhos podres poderes. A unidade dialética entre globalização versus fragmentação é o grande e novo processo da nossa contemporaneidade. Não dá para viver e pensar os nossos dias sem apreender este inédito movimento da História.
Como começar imaginando soluções pelos Estados? Procurando um novo “Concerto entre as Nações” preocupadas com o fim do terrorismo? Todos os Estados estão em cheque, funcionando como processos globalizantes e fragmentos ao mesmo tempo. São hoje produtos desta contradição, e não têm como sair dela, até sua mudança completa em novas sínteses ainda inimaginadas.
O que é mais terrível para o velho Império Norte Americano é se constatar atacado por forças que se organizam a partir do máximo de fragmentação possível; de vontades políticas e ideológicas instituintes que se caracterizam por não aceitar as regras do jogo da Institucionalização que os dominou nos últimos séculos. E estas forças atacaram graças aos mais sofisticados dispositivos globalizantes, em rede, usando as diversas redes institucionais e sendo rede. Chega a ser patético o Sr. Bush declarando que vai ganhar este xadrez mesmo sem as torres.
Nenhum compromisso com nenhuma das Éticas vigentes do velho mundo Ocidental ou mesmo do Oriente. Oriente e Ocidente: conceitos que já estão na lata do lixo da História que tinha a Geografia como uma espacialidade dimensionada. Tudo vira um ponto nas redes tecnológicas; as geografias transformam-se em demografias se apropriando dos tempos possíveis num espaço único e instantâneo. O Oriente é em Nova York, e Washington, a capital do Império, também é em Cabul.
Os Estados existentes, produto do desenvolvimento histórico até o esplendor do Capitalismo Industrial, sem exceção, têm em sua biografia algum tipo de vinculação com o terrorismo; ou porque o praticaram e ainda o praticam ou no mínimo porque foram e ainda são coniventes com essas atividades. O terrorismo contém sempre alguma chancela de Estado como pano de fundo de suas ações. E na maioria das vezes, em atos perpetrados contra suas próprias populações.
Está bem; - baseados em nosso teimoso e iluminista humanismo, imaginemos que a dimensão dos atos bárbaros e selvagens acontecidos em Manhattan na manhã do dia onze de setembro de 2001, sejam suficientes para que os Estados/Nações se sintam impelidos a um grande acordo de combate sem tréguas ao terrorismo. Imaginemos até o impossível e que os EEUU reflitam sobre a importância de um acerto desta monta e que recuem de decisões belicosas em nome de um conjunto de medidas que procurem por fim ao terrorismo; eh!eh!.
Controle internacional de venda de armas, controle internacional de pesquisas tecnológicas com clara intenção bélica, (o que seria isso, depois do uso de aviões comerciais com passageiros como armas letais?), transparência nas políticas de Estado com relação a expansão comercial e financeira, controle dos fluxos de capitais para impedir a lavagem do dinheiro chamado de sujo, aceitação de representação étnica de qualquer povoação que assim se manifeste, religiões respeitadas e controladas democraticamente para que não exacerbem ideologicamente tentando tomar o lugar dos Estados, em suma, todos os milhares de fragmentos construídos a partir do jogo bruto dos interesses, sob controle democrático numa grande rede global de consenso. Aí Fukuyama teria razão, teríamos cristalizado o movimento, a contradição dialética máxima de nosso tempo amarrada por normas de consenso mundial: - o fim da História.
O nosso humanismo perdendo a razão diante da dramaticidade do contemporâneo. É da lógica do fragmento não tomar conhecimento daquilo que se denomina ordem global, ou pelo menos tentar minimizar os efeitos da permanente tentativa de imposição. O fragmento é local, age localmente como o fez nas torres do World Trade Center e no edifício do Pentágono. E o fez usando a globalização com máxima eficácia.
É fundamental que não se caia na tolice ideológica de que tais processos tenham donos. Nem a globalização nem a fragmentação são de ninguém. Nenhum imperialista perverso ou um grupo deles manda ou sequer influencia a direção dos processos globalizantes a não ser como forças sociais que são partícipes de um novo modo social de produção. Da mesma maneira, nenhum auto denominado Partido de esquerda, ou líder carismático de qualquer nacionalidade controla os fragmentos a ponto de barrar o processo globalizante; insistir em procedimentos desta monta é pelo menos melancólico.
A contradição é mais aguda nas redes tecnológicas. Lá somos pequenos nós, pontos virtuais/reais, que demandam vontades/idéias, propondo o que bem entendemos, basta um clique e a realidade já é outra. São todos estes milhões de nós/fragmentos que constituem a rede global do conhecimento humano. E é esta rede que está agregando valor social ao processo produtivo de forma inimaginável.
Viver em rede desobriga a organização social clássica. Não precisamos mais de representações formais verticalizadas. Podemos e nos organizaremos em rede, para pensar e criar novas organizações sociais - novas “Polis”, novas Políticas. A confirmação da sociedade em rede irá possibilitar uma nova Ética para cada nó, para cada indivíduo digital.
Estou escrevendo estas linhas para colocar em rede. Num site de discussão do PPS, Partido político do qual faço parte, me incorporando assim num grupo de jurássicos que insistem em defender o humanismo de um mundo que desaparece. Não vou propor alternativas com ordem do dia e proposta numerada. Seria iluminismo demais. Prefiro as pauladas homéricas que levarei porque apresento um problema dramático e não apresento soluções.
Todas as Revoluções têm seus mortos, diz a frase clássica. Esta apresenta sua face trágica e aterradora prenunciando que outras torres serão demolidas. E o mais grave é que nem sequer vislumbramos o seu caráter político. Até o momento somente a Revolução Histórica e inexorável.
Raulino Oliveira, em 16/09/2001.
Ainda divagando, lembrei do onze de setembro de 2001. O ataque terrorista aos Estados Unidos da América. Estava voltando de um fim de semana na praia; um amigo ligou. Ficamos sem entender direito eu e minha mulher. Ligamos o rádio, maior perplexidade. O que era aquilo companheiro? Só mesmo plagiando o Gabeira. Cinco dias depois escrevi um texto, segue colado:
Onze de setembro de 2001.
“Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem.
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final.
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial”
Caetano Veloso
Já existe e vem sendo vivida uma “Nova Ordem Mundial”, resistem os velhos podres poderes. A unidade dialética entre globalização versus fragmentação é o grande e novo processo da nossa contemporaneidade. Não dá para viver e pensar os nossos dias sem apreender este inédito movimento da História.
Como começar imaginando soluções pelos Estados? Procurando um novo “Concerto entre as Nações” preocupadas com o fim do terrorismo? Todos os Estados estão em cheque, funcionando como processos globalizantes e fragmentos ao mesmo tempo. São hoje produtos desta contradição, e não têm como sair dela, até sua mudança completa em novas sínteses ainda inimaginadas.
O que é mais terrível para o velho Império Norte Americano é se constatar atacado por forças que se organizam a partir do máximo de fragmentação possível; de vontades políticas e ideológicas instituintes que se caracterizam por não aceitar as regras do jogo da Institucionalização que os dominou nos últimos séculos. E estas forças atacaram graças aos mais sofisticados dispositivos globalizantes, em rede, usando as diversas redes institucionais e sendo rede. Chega a ser patético o Sr. Bush declarando que vai ganhar este xadrez mesmo sem as torres.
Nenhum compromisso com nenhuma das Éticas vigentes do velho mundo Ocidental ou mesmo do Oriente. Oriente e Ocidente: conceitos que já estão na lata do lixo da História que tinha a Geografia como uma espacialidade dimensionada. Tudo vira um ponto nas redes tecnológicas; as geografias transformam-se em demografias se apropriando dos tempos possíveis num espaço único e instantâneo. O Oriente é em Nova York, e Washington, a capital do Império, também é em Cabul.
Os Estados existentes, produto do desenvolvimento histórico até o esplendor do Capitalismo Industrial, sem exceção, têm em sua biografia algum tipo de vinculação com o terrorismo; ou porque o praticaram e ainda o praticam ou no mínimo porque foram e ainda são coniventes com essas atividades. O terrorismo contém sempre alguma chancela de Estado como pano de fundo de suas ações. E na maioria das vezes, em atos perpetrados contra suas próprias populações.
Está bem; - baseados em nosso teimoso e iluminista humanismo, imaginemos que a dimensão dos atos bárbaros e selvagens acontecidos em Manhattan na manhã do dia onze de setembro de 2001, sejam suficientes para que os Estados/Nações se sintam impelidos a um grande acordo de combate sem tréguas ao terrorismo. Imaginemos até o impossível e que os EEUU reflitam sobre a importância de um acerto desta monta e que recuem de decisões belicosas em nome de um conjunto de medidas que procurem por fim ao terrorismo; eh!eh!.
Controle internacional de venda de armas, controle internacional de pesquisas tecnológicas com clara intenção bélica, (o que seria isso, depois do uso de aviões comerciais com passageiros como armas letais?), transparência nas políticas de Estado com relação a expansão comercial e financeira, controle dos fluxos de capitais para impedir a lavagem do dinheiro chamado de sujo, aceitação de representação étnica de qualquer povoação que assim se manifeste, religiões respeitadas e controladas democraticamente para que não exacerbem ideologicamente tentando tomar o lugar dos Estados, em suma, todos os milhares de fragmentos construídos a partir do jogo bruto dos interesses, sob controle democrático numa grande rede global de consenso. Aí Fukuyama teria razão, teríamos cristalizado o movimento, a contradição dialética máxima de nosso tempo amarrada por normas de consenso mundial: - o fim da História.
O nosso humanismo perdendo a razão diante da dramaticidade do contemporâneo. É da lógica do fragmento não tomar conhecimento daquilo que se denomina ordem global, ou pelo menos tentar minimizar os efeitos da permanente tentativa de imposição. O fragmento é local, age localmente como o fez nas torres do World Trade Center e no edifício do Pentágono. E o fez usando a globalização com máxima eficácia.
É fundamental que não se caia na tolice ideológica de que tais processos tenham donos. Nem a globalização nem a fragmentação são de ninguém. Nenhum imperialista perverso ou um grupo deles manda ou sequer influencia a direção dos processos globalizantes a não ser como forças sociais que são partícipes de um novo modo social de produção. Da mesma maneira, nenhum auto denominado Partido de esquerda, ou líder carismático de qualquer nacionalidade controla os fragmentos a ponto de barrar o processo globalizante; insistir em procedimentos desta monta é pelo menos melancólico.
A contradição é mais aguda nas redes tecnológicas. Lá somos pequenos nós, pontos virtuais/reais, que demandam vontades/idéias, propondo o que bem entendemos, basta um clique e a realidade já é outra. São todos estes milhões de nós/fragmentos que constituem a rede global do conhecimento humano. E é esta rede que está agregando valor social ao processo produtivo de forma inimaginável.
Viver em rede desobriga a organização social clássica. Não precisamos mais de representações formais verticalizadas. Podemos e nos organizaremos em rede, para pensar e criar novas organizações sociais - novas “Polis”, novas Políticas. A confirmação da sociedade em rede irá possibilitar uma nova Ética para cada nó, para cada indivíduo digital.
Estou escrevendo estas linhas para colocar em rede. Num site de discussão do PPS, Partido político do qual faço parte, me incorporando assim num grupo de jurássicos que insistem em defender o humanismo de um mundo que desaparece. Não vou propor alternativas com ordem do dia e proposta numerada. Seria iluminismo demais. Prefiro as pauladas homéricas que levarei porque apresento um problema dramático e não apresento soluções.
Todas as Revoluções têm seus mortos, diz a frase clássica. Esta apresenta sua face trágica e aterradora prenunciando que outras torres serão demolidas. E o mais grave é que nem sequer vislumbramos o seu caráter político. Até o momento somente a Revolução Histórica e inexorável.
Raulino Oliveira, em 16/09/2001.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Gabeira Fuçando a Cidade
Caminhando e pensando políticas publicas. Um bom caminho para enfrentar a poluição da nossa Baía da Guanabara.
YouTube - Gabeira visita a feira da Cohab e o Batan
YouTube - Gabeira visita a feira da Cohab e o Batan
quarta-feira, 23 de julho de 2008
A Inocente Mídia
Está bastante nítida a falta de notícias e matérias nos jornais cariocas e até mesmo no país da campanha do Fernando Gabeira. Alguns jornalistas que participam da campanha andaram, assuntando e descobriram pérolas do tipo: "só publicamos matéria que contenha disputa entre os candidatos", ou seja, fofoca de luta entre os candidatos. Outra informação foi de que há falta de recursos para cobrir todos os candidatos, eh eh. E por aí vai.
Quando Gabeira se disse candidato em março passado, foi motivo de notícias, colunas entrevistas em todos os jornais do país, inclusive numa grande entrevista no "Le Monde", (que foi proíbida de ser veiculada na Internet pelo TRE).
MUITO BEM, vamos dar uma de Obama. Vamos usar a Internet. Usemos nossos celulares, nossas comunidades no Orkut, em chats, pequenos filmetes no Youtube, enfim onde haja comunicação, grupos, etc. Vamos dizer - SOU GABEIRA!
Quando Gabeira se disse candidato em março passado, foi motivo de notícias, colunas entrevistas em todos os jornais do país, inclusive numa grande entrevista no "Le Monde", (que foi proíbida de ser veiculada na Internet pelo TRE).
MUITO BEM, vamos dar uma de Obama. Vamos usar a Internet. Usemos nossos celulares, nossas comunidades no Orkut, em chats, pequenos filmetes no Youtube, enfim onde haja comunicação, grupos, etc. Vamos dizer - SOU GABEIRA!
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