Dois bons comentários em cima da vitória de Barack Obama. Ambos ressaltam os aspectos positivos das eleições Norte Americanas, aproveitando para comentar a futura sucessão brasileira em 2010.
Trajetória da Esperança
Fernando Gabeira para Folha de São Paulo
RIO DE JANEIRO - A vitória de Obama é um manancial de interpretações. Muitos podem mergulhar nele e sair com sua verdade. Nos EUA, tudo é possível, dirão alguns maravilhados com a democracia norte-americana. Pela primeira vez um negro chega à Casa Branca, dirão os interessados em acompanhar a trajetória da luta racial.
Os mais modernos vão atribuir um grande peso à internet. Obama e sua equipe usaram o instrumento de forma competente. Mas é interessante observar alguns pontos: o simples fato de ser negro não define em si a vitória de Obama. Outros negros tentaram. A internet entregue a si mesma não faz nada; o domínio do instrumento não substitui a força do conteúdo.
Estou convencido de que a análise política de Obama foi um fator decisivo. Ele concluiu que um tempo estava se acabando, que as querelas dos anos 60 chegavam ao esgotamento. Viu o país dividido entre republicanos e democratas, assim como outros pequenos impasses que o debate nacional estimulava. Resolveu construir pontes.
Esta decisão, para mim, foi sábia. De que adiantam debates estéreis, em que se volta para casa com uma sensação de superioridade moral, mas nenhum avanço prático?
Uma realidade importante até para o Brasil: embora existam dois fortes partidos disputando o poder, grande parte da população não se identifica integralmente com eles. Nos EUA, são os independentes. O candidato fala para os independentes. É capaz de mobilizá-los? Entre eles estão 40 milhões de jovens, ávidos por proposta de esperança.
Ao longo de dois anos de campanha, foi possível colocar o país de pé, esperando, com orgulho, horas numa fila de votação.
No Brasil, com nossos métodos modernos, podemos suprimir as filas. Mas estamos em condições de injetar esperança menos de uma década depois da eleição de Lula?
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Uma Feliz Coligação
O PV, o PSDB e o PPS acertaram e formalizaram uma coligação em 18 de fevereiro de 2008 para levar à cidade do Rio de Janeiro a candidatura de Fernando Gabeira. O PPS procurou o PSDB em dezembro de 2007 para iniciar os movimentos, prospecções da viabilidade de uma candidatura que defendesse a Democracia ea República e ao mesmo tempo, fosse um projeto de recuperação da cidade em busca de seu futuro. O nome de Gabeira surgiu imediatamente e demos partida para esta jornada.
Já na sua primeira declaração na reunião em que aceitou ser o Candidato da Coligação, Gabeira definiu os pontos dos quais não abriria mão, e que foram aceitos na íntegra pelos três partidos:
Primeiro: a campanha deveria ser limpa em todos os sentidos. Sem faixas nem galhardetes pendurados em postes, sem panfletos nem outras velharias que poluem a paisagem urbana. E sem ataques pessoais, truques eleitoreiros e outras espertezas que poluem a paisagem eleitoral.
Segundo: o programa do candidato passaria ao largo de questões nacionais para se restringir a propostas e idéias vinculadas aos problemas da cidade.
Terceiro: tanto as quantias arrecadadas quanto os gastos de campanha seriam divulgados diariamente pela internet, com a especificação da origem e do destino do dinheiro.
Quarto: se chegasse ao segundo turno, a coligação não negociaria alianças nem adesões.
Quinto: alcançada a vitória, a montagem do secretariado não obedeceria a imposições partidárias ou conveniências políticas. Em vez do indecoroso loteamento de cargos, o prefeito usaria o critério do mérito para a montagem do primeiro escalão: seriam secretários municipais os melhores e mais brilhantes.
E assim construímos uma campanha que recolocou a Política na cidade do Rio de Janeiro, que vinha sendo impedida de exercê-la desde os tempos da Ditadura Militar. Perdemos o pleito por muito pouco, 1,60% dos votos válidos. Foi uma luta democrática renhida e muito difícil, porque contra todas as máquinas do velho modo de governar e de fazer poder.
Conquistamos, sem dúvida a adesão da cidade, porque convocamos a cidadania para vir conosco na busca do futuro. A Onda se espalhou rapidamente por todos os bairros do Rio de Janeiro. Sendo infelizmente barrada nos chamados territórios, aqueles espaços onde a vida da cidade foi impedida pelo controle do tráfico de drogas e as milícias paramilitares. Mas a partir de agora todos os podres poderes tremem quando escutam os rumores da Onda.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
E Viva A Onda!
As ondas humanas têm juízo. Elas sabem coisas. Organizam suas energias e continuam se movimentando no oceano da História. As pedras e praias da pós-modernidade não são suficientes para terminá-las.
Falei aqui em meu Blog durante toda a campanha que a grande novidade desta eleição foi a Rede. A Rede também é humana. Confundem-se os que pouco usam a Internet imaginando que se tratam de coisas estranhas realizadas em equipamentos modernos.
As novas redes de comunicação são laços entre pessoas defendendo seus interesses, pontos de vista, noticiando, denunciando organizando, enfim se comunicando em tempo real. A Internet é com certeza a maior confusão jamais feita pela humanidade funcionando com um nível de organização que não consegue ser alcançado por nenhum outro dispositivo.
O Rio de Janeiro mais uma vez cumpre o seu papel de vanguarda na Política brasileira. Colocamos a ação política nas redes. O Rio já percebeu que pode coisas inéditas criando as novas tribos de opinião que irão configurar a nova Polis. Portanto, estamos construindo uma nova forma de fazer Política. E nestes tempos de instantaneidade, rapidamente todo o país estará fazendo Política em rede.
É assim que todas as forças instituídas conhecerão o peso das inúmeras forças instituintes que vem se formando nesta nova Revolução Social que a humanidade está vivendo. É da natureza dos podres poderes não conseguirem sair de si mesmos. Sua dialética os puxa para dentro e assim vão se enredando em suas próprias perversidades. São as piores representações do instituído nestes tempos de acelerada mudança.
Fiquemos com a esperança do novo, trabalhando diuturnamente nas redes que a Campanha de Fernando Gabeira iniciou.
Falei aqui em meu Blog durante toda a campanha que a grande novidade desta eleição foi a Rede. A Rede também é humana. Confundem-se os que pouco usam a Internet imaginando que se tratam de coisas estranhas realizadas em equipamentos modernos.
As novas redes de comunicação são laços entre pessoas defendendo seus interesses, pontos de vista, noticiando, denunciando organizando, enfim se comunicando em tempo real. A Internet é com certeza a maior confusão jamais feita pela humanidade funcionando com um nível de organização que não consegue ser alcançado por nenhum outro dispositivo.
O Rio de Janeiro mais uma vez cumpre o seu papel de vanguarda na Política brasileira. Colocamos a ação política nas redes. O Rio já percebeu que pode coisas inéditas criando as novas tribos de opinião que irão configurar a nova Polis. Portanto, estamos construindo uma nova forma de fazer Política. E nestes tempos de instantaneidade, rapidamente todo o país estará fazendo Política em rede.
É assim que todas as forças instituídas conhecerão o peso das inúmeras forças instituintes que vem se formando nesta nova Revolução Social que a humanidade está vivendo. É da natureza dos podres poderes não conseguirem sair de si mesmos. Sua dialética os puxa para dentro e assim vão se enredando em suas próprias perversidades. São as piores representações do instituído nestes tempos de acelerada mudança.
Fiquemos com a esperança do novo, trabalhando diuturnamente nas redes que a Campanha de Fernando Gabeira iniciou.
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