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domingo, 26 de julho de 2009

As Intermitências das Mudanças

Saramago merece todo o nosso respeito, mas também se assusta diante da avalanche. As mudanças são tantas e tão inesperadas, sempre muito rápidas, que até este excelente blogueiro, http://caderno.josesaramago.org/, resiste e se alinha com a esquerda diante da Revolução. Em entrevista ao Jornal O Globo de hoje, dia 26 de julho de 2009, declara:-“Nada há que seja verdadeiramente livre nem suficientemente democrático. Não tenhamos ilusões, a Internet não veio para salvar o mundo”. Os Marinhos não perderam tempo e deram a chamada sob o título “A Internet não Veio Para Salvar o Mundo”
O nosso grande patrimônio cultural imagina intenções que não são da natureza da telinha. O salvacionismo é atitude consagrada entre esquerdistas e pentecostais em todas as suas variantes. As mudanças são grandes e possibilitam novas formas de organização social e de criação de novos saberes, sem qualquer compromisso com a salvação.
Como o escritor é genial, sua angústia deve estar na percepção de que a autoria do texto tem seus dias contados nas redes com seus nodos cada vez mais conectados. Ataca o Twitter como gerador de grunhidos e não vê mais de quinze milhões de pessoas linkadas em novas sínteses de comunicação.

domingo, 10 de maio de 2009

Um Belo Encontro entre Saramago, Bach e Rostropovich!

“De Deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta é mais uma delas.”, página 146
“Não entendo nada, falar consigo é o mesmo que ter caído num labirinto sem portas, Ora aí está uma excelente definição da vida, Você não é a vida, Sou muito menos complicada que ela.”, página 198
Em “As intermitências da Morte” Saramago consegue bela síntese Dialética entre morte/vida e apresenta toda uma discussão sócio-política em um país imaginário onde a morte repentinamente para de acontecer. Não satisfeito com a reportagem, parte para a “poesis” e soluciona todos os mistérios colocados na obra unindo-se a Bach com a Suite N° 6 para Cello. E citando Rostropovich duas vezes. A suíte de Bach passa então a ser personagem decisiva do romance que realiza uma bela poesia em favor da vida.
Curiosamente este livro foi lançado aqui no Brasil, no SESC Pinheiros em São Paulo no dia 27 de outubro de 2005. Na ocasião a imprensa divulgava: José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura em 1998 e considerado por muitos como o maior autor vivo da língua portuguesa, faz o lançamento mundial de seu novo livro, As Intermitências da Morte, em 27/10, às 20h, no Sesc Pinheiros, em evento realizado pelo Sesc São Paulo e pela Editora Companhia das Letras. Na ocasião, Saramago fala ao público presente no teatro do Sesc Pinheiros (disponíveis 500 lugares), acompanha leitura dramática de trecho do livro feita pelos atores Dan Stulbach e Leona Cavalli e apresentação do violoncelista Johannes Gramsch.
Encontrei no Youtube uma gravação completa da Suite N°6 de Bach, BWV 1012 interpretada por Mstislav Rostropovich e filmada na Basílica Sainte Madeleine, Vézelay, França em 1991.
Seguem os links na ordem da composição
1. Prélude - http://www.youtube.com/watch?v=r9fpmgpNDwc
2. Allemande - http://www.youtube.com/watch?v=bwJ0C2Pu4OE
3. Courante Sarabande - http://www.youtube.com/watch?v=6aMIvZksW2c
4. Gavotte e Gigue - http://www.youtube.com/watch?v=6aMIvZksW2c
O grande Saramago faz assim um romance com outros dois grandes artistas Bach e Rostropovich!